O som que existia antes do nome
Do gnaisse pré-cambriano à fundação de Machadinho em 1870
Jy era o som com que os Cataguases nomeavam o território que hoje chamamos de Poço Fundo. Não era apenas o nome de um rio — era a palavra que reunia a terra, os mortos enterrados nela e o direito ancestral de permanecer. Quando os colonizadores chegaram e ouviram a palavra, cada um entendeu algo diferente. O som ficou. O acordo que ele representava, não.
Este acervo começa aí: antes dos documentos, antes das sesmarias, antes do auto de posse de 1762. Começa com 600 milhões de anos de pedra de gnaisse e com os povos que aprenderam a ler o território pelos sentidos — pelo som da cachoeira, pelo cheiro do lobo-guará, pelo aumento de oxigênio na água que dizia ao peixe: aqui começa tudo.
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Quatro caminhos de entrada na história do território
Os Povos de Jy
Caiapós das serras, Mandibóias dos rios, Abatinguaras das cavernas de gnaisse. Os quilombos do Campo Grande e o Quilombo do Sapucaí — destruídos entre 1759 e 1760. Os Pretos da Posse, que tinham fazenda e perderam. Comunidades que não estão nos livros de história da cidade, mas estão nos nomes dos lugares.
O Complexo Sagrado
Pedra da Onça, Pedra Canoa, Pedra Salão, Gruta do Lobo e a Cachoeira Grande. Formações de gnaisse com 600 milhões de anos que foram o centro espiritual e ecológico do território antes de qualquer nome colonial. A Gruta do Lobo ameaçada pela PCH. A Serra do Quilombo que sobreviveu nos mapas.
Quem Fez a História
O Capitão Francisco Ferreira de Assis, cujo sangue reúne Tibiriçá e Piquirobi. O Cônsul Sueco Lourenço Westin. O Açoriano Francisco José Ferreira. Archanjo da Cruz Mendes, o adolescente que ficou. Efigênia Cardoso, morta no sertão do Dourado em 1782. Anastácio Dias e Rosa Dias, indígenas dos Tavares.
Fontes Primárias
O auto de posse de 1762 — o primeiro papel sobre o território de Jy e o primeiro apagamento simultâneos. O batismo de Mécia em 1836 — o documento mais antigo de Machadinho. Os registros de terras de 1856 com os Pretos da Posse. O mapa de 1767 onde "Maxado" aparece pela primeira vez.
Documentos & Registros em Destaque
Fontes primárias digitalizadas
Documentos Históricos
Registros, leis, decretos e obras literárias que preservam a memória de Poço Fundo.
Mapas Históricos
Cartografia ancestral: do mapa de 1767 com o "Rio Maxado" até o século XX.
Lugares Históricos
Fazendas, cemitérios, capelas e sítios naturais do patrimônio de Poço Fundo.
Personagens Históricos
Vidas que moldaram Gimirim — fundadores, esquecidos e os que nunca apareceram nos livros.